Segunda-feira, Março 16

Adeus DISCOGRAFIA, Bem vindo MUNDO NOVO!


Exclusão da maior comunidade de compartilhamento de musica do orkut – DISCOGRAFIA

Hoje quase um milhão de usuários do orkut, amanheceram sem uma comunidade em seus perfis, a comunidade denominada DISCOGRAFIA.
Sendo a maior comunidade de compartilhavam links com álbuns musicais sem pagar nada.

Como internauta, vejo o combate ao compartilhamento de produção protegida intelectualmente aos consumidores finais, como algo inocente e sem efeito positivo por parte da industria e órgãos regularizadores. Ações contra o consumidor não mudaram sua postura e se observamos o passado, contrariamente, alimenta o desenvolvimento de novas formas e técnicas de compartilhamento.

Como estudante de cinema sei que para minha produção intelectual, o filme, existe uma barreira quase intransponível que é a distribuição de nossas produções. O fato é que pouca gente efetivamente aparece nos cinemas.
Quero dizer que no Brasil e em quase todas as partes do mundo se produz muita coisa, o que antes da Internet era impossível mesmo de se contabilizar, pelo difícil acesso as produções, uma vez que só conhecíamos o que era vendido pelas distribuidoras.
Contudo, apos a popularização da Internet como meio de compartilhamento de informações, ficou claro que as artes em todas as suas formas ganharam muito mais campo para mostrarem-se.
Cada vez mais, as pessoas conseguem acesso as tecnologias de produção e é natural sua busca em mostrarem o que produzem a sociedade.
Vemos isso o tempo todo em sites como youtube, myspace e outros.

E essa briga pelo mercado consumidor na indústria musical que era ditado pelas gravadoras, distribuidoras, ganham mais dois agentes, o próprio artista que conseguiu meios alternativos e muito poderosos de divulgar seu trabalho, através de sites, blogs, etc. E claro, o consumidor que passou a ser determinante e autônomo em suas escolhas, o que quer dizer, imprevisível para indústria, tornando as vezes movimentos descartados e considerados pequenos pela indústria em criações relevantes e expressivas para a sociedade.
E o fato é que hoje qualquer um tem acesso a um movimento, produção artística e cultural, mesmo que ela esteja acontecendo no mais remoto local do planeta, mas o que ainda não quer dizer que o movimento torne-se relevante pelo simples fato de existir. Em resumo, os efeitos são que hoje efetivamente as pessoas podem e decidem o que é bom e o que é ruim, através de suas buscas e avaliações próprias (tirando o poder que sempre foi da industria).

Penso que no cenário atual a idéia de hegemonia do setor é quase uma utopia.
Tentar devolver o poder a “indústria formal” é inocência frente a uma sociedade que descobriu uma nova forma de relacionar-se com as artes e o talento.
O que espero agora das indústrias que sempre foram praticantes de um capitalismo selvagem com todos artistas e consumidores é um talento para re-inventar-se e sobreviver no meio da concorrência selvagem.

Quarta-feira, Fevereiro 4

Sobre: Sambão, Monografia, cinema e Perspectivas...

Minha vida sempre me pareceu um filme!


Surgi nos palcos da vida bochechudo, banguela e careca.

Ainda assim era bonitinho (tenho fotos que provam) e já nos primeiros anos de vida me destacava pelo interesse pela musica. Não tinha para ninguém em casa, era eu e meu pandeirinho! Presente de minha madrinha sem consciência auditiva. E no auge de meus 3 anos, meu dia era colorido por minhas constantes batidas descompassadas seguida de um frase celebre:


“ Olha, samba! Sambão...”


Boêmio de nascença, filho de uma falecida figurinista com um pintor de estilo abstrato. Fui criado por minha avó materna, cantora (nostálgica) da era do radio e um avô de descendência portuguesa ex. Militar, Despachante (um dos fundadores do sindicato em MG HUUU!), Bombeiro, Carpinteiro, Eletricista e que podia apreender e fazer qualquer brinquedo que minha mente de criança pudesse sonhar.

Com um histórico desses, eu só podia sair o que sai!...

Tive casa na arvore, carrinho de rolimã, banda de garagem (que fazia show com palco e iluminação que meu avô construiu), montava maquina fotográfica com caixa de madeira, perdia “tampões” do dedão jogando bola na rua. Montava verdadeiras cidades de lego e adorava passar horas com coisas que eu pudesse desmontar e montar denovo.

Com 11 anos já era DJ e tocava em “festas de verdade” na Savassi (lógico que precisava de autorização escrita pra conseguir tocar em uma boate), mas dava certo!

Já 14 anos descobri o cinema. Fazia filmes engraçadissimos com uma câmera de fita VHS;

Assistia filmes a tarde toda e depois anotava os nomes num caderno com orelhas e no dia seguinte discutia o assunto com os colegas de sala como um verdadeiro cinéfilo.

Na adolescência trabalhei fazendo festas, em shopping center e ate fiz bicos de garçom, tudo em nome da famosa liberdade e para ser dono do meu próprio nariz.

O tempo passou e de repente o nariz era meu. Nessa hora, me assustei, não queria ele mais...mas daí já era tarde demais.

Veio aquela pressão de escolher uma profissão, decidir meu futuro e tudo mais.

Na duvida, peguei administração! Era amplo, respeitável, e dava dinheiro.

E lá fui eu...cursinho, buteco e aquele assunto de vestibular que parece que num tem fim.


Aprovado me aliviei... já na universidade, na primeira semana o assunto era que se podia entrar e sair da sala quando quisesse!!!

A aula no começo era chata, mas fui perseverante e segui em frente.

Consegui um estagio, super legal, empresa multinacional, eu via estrangeiros o dia inteiro e de vez enquanto ate podia falar com eles...rsrsrs!

Me empolguei, o negocio era ser ADMINISTRADOR! Homem de negócios, cai de cabeça...fiz vários cursos na área, trabalhei com afinco e em 7 meses fui contratado.Auxiliar, assistente e agora analista! O trabalho é ótimo e ainda paga bem.

Mas de repente olhei para tudo e pensei...

cadê o sambão??? A arte? Onde eu fui parar?

Então precisei pensar, parar e analisar...

Logo uma conclusão veio disso tudo...eu precisava de arte...eu precisava de emoção!

Não foi fácil parar e enxergar o que falta na aparente satisfação...

E aquariano sabe como é, né? É ansioso!!!! Quer solução é pra ontem...

Mas foi preciso parar...como se diz “da um tempo”!

Esperar a resposta, e quando realmente parei e deixei a solução aparecer, ela veio! Foi fantástico... \o/

Assim surgiu minha idéia de monografia, fruto de tudo, talvez do filme da minha vida!

Agora tenho um novo projeto pela frente!

É um curta-metragem (sim! cinema na administração) e uma analise do potencial de uma profissão de tanta abrangência na gestão de um processo tão complexo como cinema.

Para mim é o fechamento de um curso que me trouxe tanto crescimento e grandes vitórias, alem da realização do que tenho de mais latente hoje dentro de mim...


Cinema!


Trabalhoso? Acho que vai ser demais...quase uma odisséia e eu vou contá-la aqui e tentar dividir um processo que de longe já se apresenta tão rico a mim e no qual vou me dedicar de corpo e alma nos próximos 5 meses!

Domingo, Dezembro 7


Depoimento de um funcionário da Perdigão da cidade de Itajaí - SC,

uma das mais afetadas pelas enchentes e desmoronamentos .

COMEÇAR DE NOVO


Eu tinha medo da escuridão
Até que as noites se fizeram longas e sem luz


Eu não resistia ao frio facilmente
Até passar a noite molhado numa laje


Eu tinha medo dos mortos
Até ter que dormir num cemitério


Eu tinha rejeição por quem era de Buenos Aires
Até que me deram abrigo e alimento


Eu tinha aversão a Judeus
Até darem remédios aos meus filhos


Eu adorava exibir a minha nova jaqueta
Até dar ela a um garoto com hipotermia


Eu escolhia cuidadosamente a minha comida
Até que tive fome


Eu desconfiava da pele escura
Até que um braço forte me tirou da água


Eu achava que tinha visto muita coisa
Até ver meu povo perambulando sem rumo pelas ruas


Eu não gostava do cachorro do meu vizinho
Até naquela noite eu o ouvir ganir até se afogar


Eu não lembrava os idosos
Até participar dos resgates


Eu não sabia cozinhar
Até ter na minha frente uma panela com arroz e crianças com fome


Eu achava que a minha casa era mais importante que as outras
Até ver todas cobertas pelas águas


Eu tinha orgulho do meu nome e sobrenome
Até a gente se tornar todos seres anônimos


Eu não ouvia rádio
Até ser ela que manteve a minha energia


Eu criticava a bagunça dos estudantes
Até que eles, às centenas, me estenderam suas mãos solidárias


Eu tinha segurança absoluta de como seriam meus próximos anos
Agora nem tanto


Eu vivia numa comunidade com uma classe política
Mas agora espero que a correnteza tenha levado embora


Eu não lembrava o nome de todos os estados
Agora guardo cada um no coração


Eu não tinha boa memória
Talvez por isso eu não lembre de todo mundo
Mas terei mesmo assim o que me resta de vida para agradecer a todos


Eu não te conhecia
Agora você é meu irmão


Tínhamos um rio
Agora somos parte dele


É de manhã, já saiu o sol e não faz tanto frio
Graças a Deus
Vamos começar de novo.


É hora de recomeçar, e talvez seja hora de recomeçar

não só materialmente.

Talvez seja uma boa oportunidade de renascer, de se reinventar

e de crescer como ser humano.
Pelo menos é a minha hora, acredito.
Que Deus abençoe a todos.


Luis Fernando Gigena