
Hoje quase um milhão de usuários do orkut, amanheceram sem uma comunidade em seus perfis, a comunidade denominada DISCOGRAFIA.
Sendo a maior comunidade de compartilhavam links com álbuns musicais sem pagar nada.
Como internauta, vejo o combate ao compartilhamento de produção protegida intelectualmente aos consumidores finais, como algo inocente e sem efeito positivo por parte da industria e órgãos regularizadores. Ações contra o consumidor não mudaram sua postura e se observamos o passado, contrariamente, alimenta o desenvolvimento de novas formas e técnicas de compartilhamento.
Como estudante de cinema sei que para minha produção intelectual, o filme, existe uma barreira quase intransponível que é a distribuição de nossas produções. O fato é que pouca gente efetivamente aparece nos cinemas.
Quero dizer que no Brasil e em quase todas as partes do mundo se produz muita coisa, o que antes da Internet era impossível mesmo de se contabilizar, pelo difícil acesso as produções, uma vez que só conhecíamos o que era vendido pelas distribuidoras.
Contudo, apos a popularização da Internet como meio de compartilhamento de informações, ficou claro que as artes em todas as suas formas ganharam muito mais campo para mostrarem-se.
Cada vez mais, as pessoas conseguem acesso as tecnologias de produção e é natural sua busca em mostrarem o que produzem a sociedade.
Vemos isso o tempo todo em sites como youtube, myspace e outros.
E essa briga pelo mercado consumidor na indústria musical que era ditado pelas gravadoras, distribuidoras, ganham mais dois agentes, o próprio artista que conseguiu meios alternativos e muito poderosos de divulgar seu trabalho, através de sites, blogs, etc. E claro, o consumidor que passou a ser determinante e autônomo em suas escolhas, o que quer dizer, imprevisível para indústria, tornando as vezes movimentos descartados e considerados pequenos pela indústria em criações relevantes e expressivas para a sociedade.
E o fato é que hoje qualquer um tem acesso a um movimento, produção artística e cultural, mesmo que ela esteja acontecendo no mais remoto local do planeta, mas o que ainda não quer dizer que o movimento torne-se relevante pelo simples fato de existir. Em resumo, os efeitos são que hoje efetivamente as pessoas podem e decidem o que é bom e o que é ruim, através de suas buscas e avaliações próprias (tirando o poder que sempre foi da industria).
Penso que no cenário atual a idéia de hegemonia do setor é quase uma utopia.
Tentar devolver o poder a “indústria formal” é inocência frente a uma sociedade que descobriu uma nova forma de relacionar-se com as artes e o talento.
O que espero agora das indústrias que sempre foram praticantes de um capitalismo selvagem com todos artistas e consumidores é um talento para re-inventar-se e sobreviver no meio da concorrência selvagem.

